Ouriços: no sabor é que está a ciência

Falar sobre ouriços do mar pode ser tão bom como saboreá-los. Prova disso foi o entusiasmo com que investigadores e empreendedores apresentaram os seus projetos nas Jornadas Técnicas que marcaram a abertura do 4.º Festival do Ouriço-do-Mar da Ericeira, no último dia 23 de março.

O festival, já considerado “um evento gastronómico de referência nas suas múltiplas dimensões”, como o apresentou a vereadora da câmara municipal de Mafra, Célia Fernandes, promove a cultura gastronómica, mas pretende também “ajudar a conhecer melhor e preservar esta espécie“.

Esse é o principal objetivo do projeto Ouriceira Aqua que visa otimizar o ciclo de produção dos ouriços e a melhoria das gónadas em cativeiro. A equipa de investigação liderada por Ana Pombo, do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) está atualmente a testar várias dietas para melhorar o sabor, a firmeza e a cor dos ouriços criados em cativeiro de forma a que se aproximem o mais possível dos seus parentes selvagens. Quem vai fazer a avaliação sensorial, em dez parâmetros, é um painel de provadores formado para este efeito e constituído por 14 pessoas.

E o que fazem com as carapaças“? A pergunta em jeito de desafio foi lançada por Nuno Mendonça para mostrar como o tema do empreendedorismo se liga ao mar e à economia circular. O diretor executivo da IEEF (Incubadora de Empresas da Figueira da Foz) e gestor de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Laboratório MAREFOZ mostrou vários exemplos de inovação nas atividades do mar, das indústrias tradicionais às TICE (Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica), passando pelo desenvolvimento de novos produtos. “Há mais no ouriço para além das gónadas, é preciso visão interdisciplinar para criar valor acrescentado“, exortou o empreendedor.

Por serem indissociáveis dos ouriços – constituem a sua principal fonte de alimentação – as algas estiveram também em foco nestas jornadas.

Paulo Serra Lopes, presidente da APPAQUA (Associação de Promoção dos Produtos de Aquicultura e Pescas dos Açores) e administrador da AQUAZOR (Aquicultura e Biotecnologias Marinhas) veio dos Açores para mostrar por que é cada vez maior o movimento para o consumo de algas, um produto tão versátil que pode ser usado na alimentação, cosmética ou nutracêutica, mas que só agora começa a ser encarado como uma oportunidade de negócio.

Negociar algas é precisamente o que faz há mais de uma década o pioneiro Rui Pereira, administrador da Algaplus (Empresa de Produção e Comercialização de Algas e seus Derivados).

A empresa de Aveiro produz algas de forma sustentável e integrada e tem vindo a desenvolver novos produtos com valor acrescentado e ajustados às necessidades dos consumidores, incorporando este “super ingrediente“.

Mercedes González-Wangemert, investigadora principal do CCMAR – Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve trouxe outro exemplo de como a aquacultura pode ser a solução para travar a sobre-exploração dos recursos naturais, neste caso os pepinos do mar.

Esta espécie tem sofrido enorme pressão devido à procura dos mercados asiáticos, que já levou ao seu desaparecimento em vários locais, e está agora a ser alvo de um projeto de recuperação e reprodução na Ria Formosa.

Programa do Festival:
https://www.cm-mafra.pt/sites/default/files/folhetotriptico_festivaldoourico2018.pdf