Na Ericeira, a festa foi dos ouriços do mar

É de manhã que os chefs se preparam para cozinhar e nada melhor do que um mercado tradicional para fazer as compras e preparar os showcookings integrados no 4.º Festival Internacional do Ouriço-do-Mar que se realizou de 23 de Março a 8 de Abril de 2018 na Ericeira.

O mercado municipal da Ericeira é bem conhecido pela qualidade do peixe e do marisco que chega fresquíssimo às suas bancas e que forneceu algumas das matérias-primas necessárias à celebração gastronómica em que o ouriço-do-mar foi a estrela maior.

Antes das 16.00 nos dias 24 e 25 de Março, hora marcada para a abertura ao público do 4.º Festival do Ouriço do Mar, os apreciadores já faziam fila, antecipando as iguarias que iam ter oportunidade de degustar, preparados pelos mais prestigiados chefs nacionais e estrangeiros.

Mal abriram portas, o mercado foi prontamente invadido. Gastrónomos, “habitués” do ouriço ou simples curiosos acotovelaram-se frentes às bancas para assistirem ao showcookings, conversarem com os chefs e experimentarem o que estes lhes propunham.

Tudo o que saía das mãos dos chefs tinha apenas um ingrediente em comum: o ouriço-do-mar.

Emídio Concha de Almeida, da Confraria da Caldeirada de Peixe e do Camarão de Espinho juntou-o a uma caldeirada à moda de Espinho, António Cavaco (Gastrónomos dos Açores) preparou-o com um risotto aromatizado com queijo da Ilha e o chef italiano Marco Martini, premiado com uma estrela Michelin deu-lhe um toque do seu país com aromas de azeitona preta e funcho. Bruno Moreira-Leite fez a ligação ao seu projeto de investigação Alga4Food e adicionou às ovas de ouriço uma pitada de erva-malagueta, uma variedade de alga dos Açores. Vasco Lello, do Café Príncipe Real do Hotel Memmo Príncipe Real optou por cruzar as ovas de ouriço com os aromas asiáticos do caviar de yuzu com molho ponzo.

Rodrigo Castelo da Taberna Ó Balcão inovou com um cone de coscorão recheado com ovas de ouriço, enquanto José Pinheiro da Eira do Mel fundiu texturas e sabores usando ovas de ouriço e torresmos crocantes. Margarida Bessa Rego serviu-os ao natural, temperados com uns “pós mágicos ” de alface-do-mar e cidreira.

Com chefs de diferentes origens era inevitável que cada um deles quisesses mostrar os ouriços da sua terra. Assim, aos ouriços da Ericeira, juntaram-se também os de Vila do Bispo, Sagres, Peniche, Espinho, Afife, Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora, mostrando que os ouriços não são todos iguais.

Desde os esbranquiçados, aos quase pretos, dos roxos aos esverdeados, existem em várias cores e tamanhos, com espinhos mais ou menos longos e sabores bem diferentes, dos mais adocicados ao mais salgados.

Foram horas intensas de provas, experiências e descobertas à volta do ouriço. Quem já tinha provado, quis voltar. Quem desconhecia o sabor, converteu-se.

Para o ano, há mais” garante Nuno Nobre, criador e diretor do festival que organiza desde 2015 em parceria com a Câmara Municipal de Mafra.

http://www.nunonobre.com